terça-feira, agosto 06, 2013

Agosto

Sei que estou em falta, mas juro que é culpa deste agosto que começou terrível (e terrível permanecerá, apesar do calor que se principia, os dias ensolarados quase sem nuvens, Sampa com essa cara de quase idílio que quase engana a gente).

Só que estou aqui pensando em você, mandando energia boa. Sei que está sendo difícil. mas nunca achei que passar agosto esperando setembro, se bem me lembro, fosse lá uma opção.

Amar sempre foi difícil mesmo. Dizia Pondé, o pai, que o amor é uma trincheira. Principalmente quando não existe essa perspectiva de consumação-para-sempre, possibilidades de mãos juntas por prazo indeterminado. Esses amores transatlânticos são doloridos. E há sempre aquele instinto de auto-preservação que insiste em nos jogar para longe, de volta à zona de conforto, das prateleiras, das quinquilharias, das coisas afins.

Nosso instinto de auto-preservação nos coloca jogados na sarjeta, chorando pelo amor que não será dado. Dá, na verdade, a opção pela sarjeta ao invés de deixar a coisa desaguar no destino que será exatamente esse. Noves fora, o caminho é o mesmo: o que muda é o tempo e a decisão.

Abrir mão de um amor doce e tenro pode ser um ato de grandeza ou covardia. Eu acho que a maior parte das renúncias são gestos de grandeza. Para quem tem carne, insistir no caminho que levará ao sofrimento nunca é uma escolha racional. Mas, de tantas racionalidades que somos obrigados a levar nesta vida metropolitana, o que se perde em se aproveitar os estertores? Muito pouco para quem estava, há tempos, nos desertos povoados de gin tônica augustando por aí.

"A salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena" - penso eu. Não tema que ficará tudo bem. Há sempre um bocado de carne para aparar o tombo. E de resto, depois, a vida se encaixa. A vida prossegue em seu lento vagar, as doçuras se reencontram. Mares turquesas europeus, talvez, quem sabe?

Te beijo daqui, neste grande Dia da Marmota que este mês se transformou.

Um comentário:

thaïs saccardi disse...

acabei de ler. to chorando aqui no meio do trabalho. obrigada. amo vc.