quarta-feira, agosto 28, 2013

10 anos

E a data passou, porque a vida segue rápido dentro das desimportâncias.

Foram dez anos. Já são dez anos. E, em 2003, era tudo diferente. Lembro que olhava, curioso e ansioso para o mundo lá fora. E isto aqui era a minha janela. Não existiam redes sociais, a internet era discada ou raramente cedida nos laboratórios da faculdade. Ainda assim, escrevia. Quase todos os dias, banalidades, coisas pontuais. E, deste exercício, a possibilidade de poder me resgatar em determinados momentos e me rever com ternura, beleza ou num arrependimento brando.

Quase terço de vida repousa nestes mortos caracteres. Quase todo registro de vida adulta se encontra por aqui. Acho que continuo o mesmo, talvez com melhor controle sobre minhas vírgulas e pontuações. Mais temeroso quanto esta abertura me proporciona. Ainda assim, continuo mastigando com vagar as minhas próprias histórias, colando os cacos até virar uma coisa bonita e distante.

Martini Seco, porque, lá nos primórdios, eu já não sabia de quem era a culpa. Hoje sei, era minha. Porque coragem é algo que não se nasce: cria-se e vem da reinvenção. Hoje consigo entender com clareza do tédio que me imobilizava nos dois primeiros anos, na fagulha do ano seguinte, seguido por outro de longuíssimo abismo para depois resolver olhar para frente, e depois se aventurar na cidade nova e depois vir chorar de solidão para então encontrar o eixo, errando aqui e ali até chegar agora, longos três anos e algo sem grandes desassossegos.

Está tudo aqui, todas as histórias, ainda que não-lineares, ainda que se choquem e tenham se perdido por aí.

Um comentário:

Anônimo disse...

E eu, leitora anônima, presente nesses dez anos. Gosto de verdade desses textos, muitas vezes quis escrever e dizer o quanto aliviava ler você. Hoje é o dia. Obrigada e sigamos.