sábado, julho 13, 2013

- Fui eu quem matou a poesia e não posso botar essa culpa em alguém.

- Fomos nós que matamos essa poesia, para ela poder se direcionar para outro lugar.

quarta-feira, julho 10, 2013

((fim))

- Então tá.

- Então tá.

- Daí a gente se vê, se adiciona, depois marca algo. Tipo chopp, sabe?

- É...

- Então tá.

- E se tentarmos algo diferente? E se fingíssemos que nada disso aconteceu?

- Como assim?

- Assim, esse encontro nunca aconteceu. Faz de conta que não te vi e passei reto. Faz de conta que foi só um estranho que passou.

- Eu disse alguma coisa errada?

- Não, não. Nada errado.

- Então, que foi?

- Eu fico pensando que éramos de um jeito e tudo mudou. Eu mudei, você mudou. É normal. Eu esperei por anos esse esbarrão, o momento quando as contas estivessem zeradas e haveria espaço para um algo que eu não saberia definir. Talvez epifania, talvez redenção.

- Epifania? Que é isso?

- É a súbita revelação da verdade. Tipo: PANS, e acaba. Tipo close no fim do filme. Assim esperei. E passou o tempo e continuei esperando. Porque acreditava que precisava de uma resposta para seguir em frente. Esperava que o reencontro me fizesse virar a chave e me entender melhor.

- E o que mudou? Esse encontro ficou abaixo das suas expectativas?

- Não, não. Ele só não faz sentido. Eu havia me esquecido de você quase completamente. Já nem me lembro do discurso decorado que fiz para essa situação.

- Bom, então é bom. Então poderíamos começar de novo doutro jeito, né?

- Acho que não. Somos dados viciados. Nossa relação nunca iria conseguir se desvencilhar daquilo que poderia ter sido e não foi. Digo, mesmo amigos de bar. Mesmo para falar mal do trabalho, reclamar do trânsito. Vou olhar para você sorrindo e procurar tudo aquilo que gostei um dia e ficou perdido em algum lugar. Não estaria pronto para receber o você de agora, nem teria de volta o você que um dia gostei tanto.

- Olha... Eu não estou entendendo? Você não gostou em me ver?

- Sim, gostei. Mas gosto tanto de você que não estou preparado para abrir mão de toda ilusão que criei sobre você durante todos estes anos.

= Então tá.

- Então tá.