quinta-feira, maio 23, 2013

((um))

Não aprendi violão, nem virei advogado de fato. Passei na OAB, arrumei emprego de firma e fiquei ficando. Mas, veja bem, parei de fumar. E nem tenho esses arroubos de Carrie caçando um cigarro perdido nas calçadas sujas por aí. O isqueiro? Ah, deve ter ficado por aí, não sei. Deve ter ficado na casa da minha mãe e se perdido na primeira mudança. Daí saí de casa e comprei casa, pagando em milhares de prestações. Daí eu mudei agora, para cá e deixei a casa lá, montada,  com meu namorado e meio milhar de quilômetros nos separando. Finalmente mudei. Com algum esforço, mas mudei. Lá não me cabia mais. Não digo o apartamento - ele é bonito, comprei uns vasos, umas flores, umas cortinas bonitas. Se comparar onde estou agora, não tenho cama nem sofá. Chego do trabalho novo, exausto destas baldeações sem fim desta cidade cão e sento no colchão que é sofá e cama, vejo a novela e depois vejo outra, às vezes abro uma cerveja para ajudar o sono chegar. E abro um sorriso. Eu queria ter mudado logo depois que terminei a faculdade. Só que veio a preguiça de sair da zona de conforto, comida de mãe no freezer, amor tranquilo pela casa. Recomeçar tudo depois dos vinte cinco, e a coragem? Eu até tinha, só resolvi guardá-la para depois. Até quando foi batendo aquela agonia da vida encaixada sem grandes saltos. Que podia ser mais. Daí você se lembra de que precisa pagar a geladeira e o fogão, quem sabe até Natal num fim de ano, mesmo naquele projeto CVC. Até tentei moderar minhas expectativas com aquilo que chamamos de vida responsável. Até que não deu. E, agora, estou aqui.

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