terça-feira, maio 28, 2013

((três))

Nunca encontrei alguém que ficasse tão doce tomando conhaque numa noite fria. Dreher, barato, insano, descendo queimando as vísceras sem Coca-Cola. Nunca também encontrei outro alguém que abrisse os braços e aceitasse minha natureza esguia e vacilante. Quando você me tocou e me virei, lembro de ter olhado a Lua, olhado você e percebido o quanto era bonito. E quando dormi, cansado na rodoviária, com a mão no seu colo. E quando acordei, antes de você, espremido porque não cabia na barraca minúscula. Antes de você chegar, sempre haveria esse medo em saber se quem sairia do ônibus seria você. E chegava e me ligava em seguida, eu sorria, maquinando planos e tentando encaixar tanta coisa em tão pouco tempo. Gostava do jeito que você chegava de peito aberto, mesmo quando a hesitação batia do lado de cá. É algo que, muito tempo depois, entendi e peguei para mim. Lindo: dentro, fora.

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