terça-feira, maio 14, 2013

Berlim

Enquanto andava pela cidade que entrava pela primavera, flanando por aqui e ali sem muitas preocupações geográficas (é tão fácil se perder em Berlim com suas ruas de quinze letras e um mapa confuso em que as letras se apertam), comprando cervejas por menos de euro, entrando em cemitérios e parques sem nome, pensei que há tanto não ficava tanto tempo sem pensar em coisa alguma. Nada, nadinha, só olhos vorazes sorvendo o envolta, maquinações pontuais de tentando se localizar. Só havia silêncio. Até poderia tentar conversar com desconhecidos, descolar companhia para seguir meus passos. Mas, não. Eu estava ostríssimo em Berlim. Confortável dentro do meu pequeno mundo desbravando um grande mundo. Sentia falta de pouquíssimas pessoas que talvez entendessem esse sentimento ora contemplativo, ora de introspecção. Fora da loucura que é esse cotidiano de empregos e vida responsável para se levar adiante, consegui escutar algumas engrenagens - que deslizam quase macias, dentro do meu roteiro pré-programado. Há pouco ruído, às custas de um grande esforço. Esforço, este, voltado para manter as engrenagens no lugar. Não sou desses que aceitaria um emprego na Austrália. Nem desses que procuraria companhia num balcão de bar para conversar só porque a silêncio poderia ressoar se mantido por tanto tempo. Mastigo minhas próprias alegrias e tristezas silenciosamente. Eu não era assim, mas estou sendo. Independente do julgamento do fato, está me fazendo feliz assim.

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