quinta-feira, janeiro 10, 2013

2013

Pela primeira vez em muito tempo que começa um ano e simplesmente digo que não sei. Não sei mesmo. Tenho pouquíssimas certezas: de ter depositado o amor no lugar certo, construído uma esfera de carinho suficiente para atravessar um improvável longo inverno, a certeza de se bastar com aquilo que se tem. E só. Talvez trabalhar menos e tomar mais sorvetes. Talvez insistir na academia que descobri que faz um bem danado (apesar de rolar um desejo interno de ir de burca para passar bem desapercebido). E também ler o Cortázar que vai ficando empoeirado na prateleira, escrever aquela história que brotou durante uma madrugada modorrenta, ver mais o mar. Coisas que, se não acontecerem, tudo bem e vai-se indo: pagando as contas e indo ao banco, reclamando vezenquando dos chefes e tomando cerveja na sarjeta suja. Quando tendo a reclamar da calmaria, abro os arquivos e me encontro às vezes sangrando e desnecessariamente perdido, tem feito bem. Faço as pazes com o passado, com o eu-passado e tenho encontrado beleza em quase tudo.

Quanto ao eu-presente, tenho nadado no raso com a água nas canelas.