segunda-feira, setembro 24, 2012

Castro

A nudez, na Califórnia, não é pecado.

Quer dizer, num pedaço dela. Num distrito. Num enclave. Numa rua onde os homens descem e sobem a rua numa tarde ensolarada de setembro, apesar do vento cortante que eventualmente resolve soprar sem aviso. Eles sobem e descem com seus adornos, algum detalhe de couro, alguns muitos quilos a mais.

Não existe um apelo necessariamente sexual. Não existe necessariamente o culto ao corpo, trincado por horas inúteis na academia, milhares de dólares gastos na ponta da faca ou em aminoácidos sintéticos. Estão nus, provavelmente, pela liberdade do ato talvez. E é por isso que eles sentam e tomam café despreocupados, apesar do olhar curioso dos turistas que, como eu, estão acostumados com certas  proibições.

Eles são livres para libertar as fantasias dos porões. Eles são livres pois sabem que encaixam num determinado pedaço do mundo e não precisam, desta forma, abrir mão do seu mundo para seguir a estética tão recorrente e pasteurizada.

A maior beleza de Castro é essa: seja quem seja, isto não é estranho.