sábado, julho 28, 2012

Sabia sorrir escorrendo pelos lábios. Sabia ser doce, mesmo tomando cerveja todo dia. Sabia um jeito automático de trazer para perto sem muito esforço, com as pontas dos dedos tocando o cabelo. Sabia desenhar o Sol na calçada de um dia particularmente ruim. Sabia o timing de uma braçada de flores, um adular sem critério, o aceitar a falha sem grande crítica.

Sabia o que puxar do baú quando as coisas aparentemente seguiam sem rumo.

Quanto a mim, só sei que você é do meu melhor.

quinta-feira, julho 12, 2012

Tenho tido algumas dificuldades em lidar com essa situação vida-adulta.

Antes parecia que havia um objetivo: era terminar a faculdade, terminar a residência, conseguir se sustentar, amar e ser amado em troca. Talvez um mochilão para Índia, talvez uma terceira língua. Parecia que toda a vida confluia para um ponto, diferentes pequenos pontos, era só olhar para frente e, perto ou longe, o objetivo estava lá.

Agora, não. Agora não há linha de chegada. Agora tem que se trabalhar para ganhar dinheiro e pagar as contas para depois quem sabe trabalhar para pagar mais contas ou para tentar trabalhar menos. Tem que batalhar para não deixar o amor cair na rotina, para que a faxineira venha, para que consertem os armários e lavar o carro, vezenquando voltar para casa e dar um beijo na mãe, ponderar os vícios, acordar cedo de segunda-a-sexta.

Vamos sobrevivendo com algum sucesso, desejando internamente que as férias logo cheguem e que os demônios fiquem longe, mordiscando os calcanhares alheios. Sobrevivendo, confesso, até com um certo charme e no pouco pudor que esta vida-adulta pode proporcionar.

Será que o resto de nossas vidas se resume a isto?

segunda-feira, julho 02, 2012

I Ching

Daí que joguei I Ching e veio bonito. Sempre tremo nas bases quando estou com as moedas na mão - o I Ching eventualmente vaticina catástrofes e infortúnios. Repito, veio bonito: o nove, o quarenta e dois. Veio falando de sucesso e pedindo suavidade. Veio pedindo crescimento e que o momento não dura para sempre. Veio para trazer um pouco de mim que estava discretamente escondido, latente, jogado para debaixo do tapete.

Veio trazendo a necessidade de retomar algumas coisas.

Como aqui, por exemplo.