domingo, maio 13, 2012

Escrevo, apago, refaço. Redigo, repenso, até fechar o computador num baque e tentar outra coisa menos cerebral, algo até mecânico: videogame, tv-besteira, punheta. Atolado com dois pés numa rotina que sufoca e, ao final, recompensa com o vil metal em que pago o carro e o apartamento, as bebidas e a televisão a cabo, fingindo uma pretensa segurança para evitar a inevitável terapia-aos-trinta-anos onde, inconsolável, lamentarei dos amores que desfiz com os próprios dedos, a negligência com os carinhos de casa e a inutilidade que é correr de sol-a-sol perseguindo os desejos dos outros enquanto ainda se há tanta vida por se enfrentar por aí.