sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Existe amor em SP

Lógico que existe amor em SP. Sempre houve. Sempre haverá para quem achar que amor não se encontra por decreto. Amor não chega após publicação no Diário Oficial e mil-protocolos de boas intenções. Não bate à porta do apartamento que vive trancada, nem se materializa por invocação ou encantamento.

Amor existe para quem abre as janelas, as portas, desce as ruas e sobe aos edifícios, mesmo estes condenados pela especulação imobiliária. Existe em cada estação de metrô, em todo ponto de ônibus. Existe para quem se vende pelo preço que verdadeiramente é e sabe dar desconto quando necessário, tem a capacidade de mudar de rumo, trocar de balada, às vezes beber num bar bem sujo e se permitir comer aquela coxinha meio verde que sobra às quatro da manhã.

Mesmo para quem já se viu chorando na sarjeta mais suja enquanto amanhecia, mesmo para quem já teve os sonhos triturados algumas vezes por quem não soube fazer o que deveria com eles. SP tem destes descaminhos, ladeiras e becos, estas armadilhas das quais até o mais capaz vezenquando cai. Importante lembrar que SP não é Gotham City e por baixo deste skyline de prédios espelhados e rios tão poluídos cortando esta terra impermeabilizada, também existem garotos que soltam pipas na Aclimação.

SP transborda amor. Às vezes é preciso apertar os olhos e fingir que as avenidas não tem nome dos barões da ditadura. Mas, tudo bem, mesmo assim, não tenho dúvidas: há tanto, tanto, que por isso é preciso sorrir todo dia.