domingo, dezembro 18, 2011

Ontem sonhei com você e acordei num sobressalto. E naqueles cinco segundos antes de recobrar a consciência, exaurido numa quarta-feira destas semanas que se arrastam por dezenove dias, sorri de leve e com vagar pois havia sido sonho bom. E quando digo sonho bom, é sonho leve, familiar, destes que te abraçam mesmo quando há um turbilhão a volta. Era um sonho com carros, acho que o meu quebrara, encontrávamos na oficina e conversamos sobre coisas sem tempo: carinho e afetos cristalinos, sem aparas, de colocar na palma da mão e apertar suave. Daquelas doçuras suas que eram tão típicas, das minhas que às vezes também transbordam. Não consigo aqui reproduzir duas frases, mas digo com certeza: nada perigoso ou com margem para qualquer outra coisa que não fosse aquilo.

O sobressalto do sonho bom, na verdade, foi em perceber que há certos afetos que eu preciso aprender a aceitar.

"E, ao amanhã, a gente não diz"

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Ontem encontrei com você, de sobressalto. Enquanto subia a Frei Caneca você se esbarrou, pediu isqueiro mesmo sabendo que há tanto parei de fumar. Jogou-me tantas coisas, como lhe é de habitual. Palpitou tanto, como de costume. Disse do trabalho, do cansaço, da sua vida, da correria, disse tantas coisas que foram batendo no vazio, pois lá no fundo havia a vontade em dizer que não me importava, tão simples: não me importo contigo, nem com tua vida nem com teu cigarro, nem teu trabalho tampouco teu sucesso, se eu estava fumando demais o problema era tão e somente do meu interesse, pois não venha com simpatias ou protocolos de boas intenções, agora já foi e não importa, agora quero você tão longe que não me alcance com seus julgamentos, as opiniões despreocupadas.

Nada disse, como de habitual. Fiquei ali, mastigando minhas agressividades, até o discurso acabar.

Um comentário:

gera disse...

relaxa, um dia, qdo vc for mais velho, vc vai estar subindo a bela cintra ao inves de frei caneca e tudo vai ser beeem diferente :)