sábado, outubro 22, 2011

Quando virei Caio F, sem querer

"A impressão que tenho é que nunca vai passar.
Que a cicatriz não fecha.
Que só de esbarrar, sangra.
Ainda me perco e só reencontro os velhos caminhos.
Mas (ou E), não vou. Nunca vou. Nem irei.

Porque o maior erro foi não sucumbir àquilo que considerava meu maior defeito..."

(março/2006)

Há alguns textos, mesmo aqueles bem antigos, que lembro bem como, onde e por que vieram. Este, acima, vinha encimado e arrematado por dois trechos de "Sem Ana Blues" do padrinho Caio F. Havia há pouco lido "Os Dragões Não Conhecem o Paraíso" e fiquei com este conto na cabeça, acompanhando-me por um bom tempo.

Como agravante, naquela época, também havia um baita pé-na-bundismo por conta daqueles típicos amores que não foram e nem eram, mas, enfim, provocaram um grande arrebatamento. Aquele sentimento de imobilidade que se espalha quando tínhamos um bocado de boas intenções e elas tornaram-se inúteis antes de serem colocadas em prática.

Não é dos meus favoritos. Nunca foi. Não voltaria a ele se não fosse por um pequeno acaso que aconteceu: sua disseminação pelo mundo. Pois, vejam, em algum momento da história, ele passou a ser creditado a Caio Fernando Abreu. E, daí, repetido milhares de vezes sem a checagem da autoria, internet adentro. Se vocês buscarem o primeiro verso, "A impressão que tenho é que nunca vai passar", encontrarão quase 40 mil resultados (incluindo um ou dois vídeos no YouTube!).

Se por um lado é algo que me lisonjeia, incomoda-me ver algo que é meu assim, por aí, repetido mil-vezes sem crédito. Esse processo público que é escrever e inventar teve sua valia: mas, hoje, tenho questionado o valor em manter estes oito anos de arquivo para esta multidão de surrupiadores em potencial.

Tenho pensado seriamente em passar a tranca por aqui e jogar a chave fora.

segunda-feira, outubro 17, 2011

Tenho escolhido as palavras para não cair na falsa ilusão da maturidade. Não vanglorio a calmaria como prêmio por tanto desencontro prévio, nem acho que este agora seja um tempo que outro não existirá. Estamos ainda em movimento e ainda se há tanto por trilhar. Não direi que venham porque este é o caminho correto; prefiro: venham, porque aqui há carinho e sinceridade. Venham, porque andar conosco é bom.