segunda-feira, março 21, 2011

Chega o outono, suplantando aquele clima quase saárico que tornou nossa selva de pedra numa Benghazi, numa Dacca, numa Zanzibar qualquer. Percebo enquanto desço a nova rua, enquanto saio do novo emprego neste impróprio horário do depois-que-anoitece pensando que mereceria uma cerveja já que cigarro não fumo mais. A inspiração falta, mas a desinspiração é necessária: percebo que todos esses autores que gostamos todos são solitários e egoístas, reciclando frustrações e esmerilhando sentimentos pungentes para que nós, quase vampiros, deleitemos. Não, não quero ser assim: quero casa na praia & família de comercial de margarina. Quero só chegar em casa, tirar os sapatos, ser recebido por um daqueles cachorros bem lambentos. Quero que os abismos fiquem aqui a quatro portas. Quero ser feliz, assim, só.

Um comentário:

Rafael Cardoso disse...

E não é verdade? Texto bom é aquele que é escrito sozinho, no canto, depois de horas remoendo o assunto, escrito vários rascunhos, depois de muitos cigarros (entendeu o nome?) e isso leva tempo, pode se ficar horas na frente de uma tela/papel em branco, mas é necessário se dar conta de que lá fora tá o mundo, cheio de gente/coisas novas.

Não sei se esse é o fim, caso seja, pelo que você coloca aqui, apesar de fã do seu blog, acho a justificativa mais do que legítima.