segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Conjecturas

E daí vou te encontrar dia desses, talvez num outono, talvez naquele breve intervalo de tempo perto do entardecer que é quando a luz muda, certamente por acaso pois já nos desvencilhamos há tantos tempos, talvez sem rancor e sem alívio para talvez te dizer já que talvez os anos me deram este ar excessivamente mordaz: nosso amor não valeu nem a emenda de um soneto.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Deixar seguir

Deixar seguir, deixar fluir - nada há além de esperar que: o emprego encaixe, a vida siga, a rotina venha. Pela primeira vez, não há aquele objetivo divisado. Não há a faixa no final da Paulista para se atravessar depois de ter subido toda a Brigadeiro.
São essas coisas obtusas de feliz-para-sempre, intelectualmente desafiado, horários decentes, sem gastar tanta vida sufocado nas vias arteriais da cidade ou nos becos escuros. Quero bons amigos sempre perto, quero você todo dia para dividir os lençóis, a escala de quem levará o cachorro para passear, aquele último pensamento bom todo dia antes de afundar no sono.

Na ausência de prazos, na ansiedade em querer tudo para ontem, na incerteza em talvez saber que nem tudo o que se quer pode ser alcançado: tenho medo, mas nem falo. Nem tenho falado muito, tanto, só umas coisinhas banais e desimportantes...

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Piranhas

A felicidade é como uma gota de orvalho numa pétala de flor? Sim, Vininha, como não concordar? Também, direi: felicidade é como uma gota de sangue num tanque cheio de piranhas. Não foi uma nem duas vezes em que percebi, de soslaio, enquanto voltava àquele quadrado num dia tão ensolarado - daquelas coisas tão habituais de interior em se saber o que está se ocorrendo mesmo sem querer dividir. Quero dizer que aqui estou feliz, sim, não é preciso cartazes e manchetes, não preciso do uivo das multidões nem adentrar nestes concursos do mais brilhante ou, quem sabe, do que é mais certo, ou também, nem quero estabelecer contato com quem não sabe conjugar nossos verbos. Só queria tomar minha cerveja, aqui, como era antes, sem esse inquérito quase opressivo de dedos leves.