terça-feira, dezembro 07, 2010

Quase sem querer

Estou naquele momento em que não gosto de onde estou e não sei para onde vou. Consola-me somente o fato de que é transitório, é só dezembro e, não importando o que faça, tudo irá se organizar espontaneamente. Também, dentro de toda confusão, há tanto que me agrada e acalenta, tantas mãos firmes que me empurram para frente. Se me aborrece a vida de garoto de recados e a mediocridade da Academia, há sempre o domingo com Topa Tudo por Dinheiro para ser assistido ou aquela cerveja preguiçosa na Augusta me esperando trincando de gelada. Se não consigo suportar silenciosamente o tronco da escravidão branca, chego em casa nestes dias senegaleses e te espero em casa quase sem roupa enquanto a pizza, aquela da máfia siciliana, ainda não chega. Poderia estudar, mas tenho jogado tanto videogame. Podia ler um clássico, mas me satisfaço com as notícias de caos carioca ou navegando inutilmente neste mar de redes sociais. Espero que o tempo escorra até que eu assuma novamente o controle, mesmo que esse controle ainda não tenha cara nem horários. Só sei que quereria não trabalhar mais de sexta, queria acordar a hora que bem entender na segunda e permita que eu compre nossa cama de casal, os lírios do domingo, as viagens para o Rio.

Dentro de toda irritação, é em você que penso quando as coisas ameaçam sair dos trilhos.

3 comentários:

Anônimo disse...

eu odeio te ver assim... com !você! não sendo !eu!...

rodrigo disse...

compartilho dos seus sentimentos.
e ah, prazer. sou seu leitor.

Eliane F.C.Lima disse...

Gabriel,
Faltou dizer que você escreve bem para danar (Nossa! termo antigo!), com aquele jeito de quem não está querendo dizer nada.
Eliane F.C.Lima