terça-feira, dezembro 28, 2010

2010

E se fosse um seriado, teria sido a melhor temporada de todas. Talvez, não para quem assista. E talvez tantos lampejos de felicidade sejam mal-vistos pela audiência, visto o tom habitualmente lúgubre e loser dos episódios prévios. Até tentei botar os pés pelas mãos, até tentei incorrer nos velhos e já tão citados erros pregressos. Porém, seguir era irresistível. Conforme seguiam-se os dias, caminhar até parecia fácil. Tanto carinho, tanto afeto. Tantas noites iluminadas, tantos espumantes terminados só pela simplicidade de comemorar o hoje, o que havia.

E que a audiência roeu os dedos, quis esbofetear o protagonista. Se fosse o bom e velho "Você Decide", até teriam escolhido o caminho da direita. Os roteiristas, no entanto, resolveram ser bondosos com o roteiro e colocaram, tão só, doçuras e levezes, destas coisas boas e bobas tão gostosas para serem alimentadas.

Encontrei a boa vontade de quem oferece o corpo para amortecer o possível tombo naquele salto mortal que se faz no trapézio, sem rede por baixo. Encontrei a cumplicidade de quem se arrisca pelo impulso de ver plot seguir em frente. Encontrei a compreensão entre cafés e cervejas, de quem não cobra nada além, nada além de um sorriso para manter as engrenagens girando. Encontrei, depois de tanta reza e tanto tombo, aquilo que sempre procurei por estes ermos caminhos: a benção do encontro, as referências cruzadas, as mãos postas na mesa, as tardes preguiçosas, o nada fazer que consegue ser melhor que quase todas as coisas do mundo.

Portanto, se houver episódio final de Reveillon: todos de branco e felizes, espumante na taça enquanto os fogos não estouram. Um grande abraço grato a todo elenco por ter participado de tanto sucesso em tão pouco tempo. E desejo que a temporada que segue seja tão brilhante para todos nós, seja na medida exata do que pedimos, sete vezes sete.

Um fantástico episódio para todos vocês.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Mea culpa

Viver anda me ocupando, minha gente.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Bem

Bem, sim, bem. Quando digo bem é bem-bem, bem mesmo, sabe? Mas, acredite, não vou ficar aqui dizendo de que a vida está sorrindo e depois de toda a confusão as coisas voltaram para os eixos. E, talvez, nem confusão seja a palavra correta: era aquele período das coisas se assentarem, como se estivesse tocando uma música que você não sabe dançar e se está no meio da pista. Pode vir aquela sensação de nudez extrema por não saber como se comportar ou fecha-se os olhos e vai-se dançando mesmo sem saber, adivinhando o próximo movimento na pura intuição até que a coisa vai, a coisa flui num crescendo, até que se perca o pudor e, veja, dança-se mesmo sem querer. Pois bem, dancei bem, tá tudo bem e só não vou ficar repetindo cada passo e cada virada porque não concordo com essa conduta de se ficar dizendo que a vida está melhor e plena, estou satisfeito e seguindo mesmo que se escorregue e chore de vez em quando, bem de vez em quando, não vou partilhar do exercício de jogar na cara milhares de felicidades com o intuito de magoar pelo brilho, pelo doce, pela mágica que tem acontecido diariamente. Não vou dizer que agora estou melhor assim, muito embora seja verdade. Direi tão somente: bem, talvez, bem raso, bem simples, atropelos e correrias, contas para pagar e o armário que não chega, as sextas que não acabam e, poxa, nem fui para Bali ou andei de transatlântico, nem tenho bebido tanto e talvez pensando em parar de fumar. Bem, fico bem em perceber que você está tão bem. A gente se cruza por aí.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Quase sem querer

Estou naquele momento em que não gosto de onde estou e não sei para onde vou. Consola-me somente o fato de que é transitório, é só dezembro e, não importando o que faça, tudo irá se organizar espontaneamente. Também, dentro de toda confusão, há tanto que me agrada e acalenta, tantas mãos firmes que me empurram para frente. Se me aborrece a vida de garoto de recados e a mediocridade da Academia, há sempre o domingo com Topa Tudo por Dinheiro para ser assistido ou aquela cerveja preguiçosa na Augusta me esperando trincando de gelada. Se não consigo suportar silenciosamente o tronco da escravidão branca, chego em casa nestes dias senegaleses e te espero em casa quase sem roupa enquanto a pizza, aquela da máfia siciliana, ainda não chega. Poderia estudar, mas tenho jogado tanto videogame. Podia ler um clássico, mas me satisfaço com as notícias de caos carioca ou navegando inutilmente neste mar de redes sociais. Espero que o tempo escorra até que eu assuma novamente o controle, mesmo que esse controle ainda não tenha cara nem horários. Só sei que quereria não trabalhar mais de sexta, queria acordar a hora que bem entender na segunda e permita que eu compre nossa cama de casal, os lírios do domingo, as viagens para o Rio.

Dentro de toda irritação, é em você que penso quando as coisas ameaçam sair dos trilhos.