sexta-feira, novembro 05, 2010

#12 B&S Get Me Away From Here, I'm Dying (If You're Feeling Sinister)

With a winning smile, the boy
With naivety succeeds
At the final moment, I cried
I always cry at endings


Certo dia te encontrei na praça, destes dias ensolarados regados de cerveja. Você chegou bem tarde, quase com a noite caindo, num abraço terno. Há quanto tempo, sim, concordaria, há quanto tempo. Viria então o rosário das minhas desculpas esfarrapadas: do trabalho que atormenta, da rotina que morde os calcanhares, sabe? Saberia, sim. Diria que então também trabalhando tanto, às vezes naquelas torres imensas da Faria Lima com o trânsito todo paulistano se afogando diariamente, muito dinheiro, sabe? Sim, saberia e, então, falaríamos nos nossos apartamentos novos e nas agruras de quem caiu na ilusão da casa própria: falamos mal dos encanadores e eletricistas, naqueles infelizes funcionários da Net e dos colocadores de box, de como os sofás estavam caros. E o namoro? Bem, acabou e o seu? Vamos indo, você sabe, mil quilômetros de distância e outro resumo longo de idas, vindas, voltas. Sim, entendo. Sempre entendi. E ali pelas tantas, pela terceira cerveja sua, você diria: às vezes, fico pensando que te via mais quando morava no Paraná que agora, em Pinheiros. Concordaria, silencioso, destas coisas que eram e não são mais.

Não pertencer não diminui o significado. Entendo a pessoa que estou sendo pelas andanças que já fiz, nos becos que me enfiei. A (i)maturidade permite desapegar de certos comportamentos repetidos. Trocamos as músicas favoritas, trocamos nossas ilusões doces por outros idílios, guardamos as cartas nas caixas ao invés das paredes. E quando, de surpresa, coisas assim tentam invadir, é bom fitá-las por entre os dedos, contemplativo.

Get me Away batizou o primeiro blog, meu filho mais triste. Foi minha música predileta do Belle por muito tempo, retrato daqueles dias em que se queria tanto, sem destino. Hoje, engraçado, não é mais. O que não signifique que eu não abra um bom sorriso quando ela surge, desesperada no shuffle. A razão é diferente: sorrio, pensando que era, foi importante que fosse. Mas, agora, como é bom que seja só algo circunscrito nestas lembranças sentimentais...

Um comentário:

Rafael disse...

Ah, a Praça...