sexta-feira, outubro 22, 2010

#9 B&S The Wrong Girl (Fold Your Hands Child...)

I'm not what I could be, I need a true love
I went looking and I found one


E tive a sorte do amor tranquilo, depois de tanto pedir. De tanto rezar, quase prece íntima, naquele desejo pequeno-burgês de se querer algo por pura necessidade de algo mais para balizar os dias. Lembro-me: era bom. Gostava destes dias e noites sem atropelos, da paz estabelecida por um acordo silencioso que criamos. Nada havia ali além de um carinho imenso, seu carro na minha garagem, nossas vidas emboladas. Depois de uma centena de dias nesta atmosfera boa de bem-querer, algo desandou. E desandou também silenciosamente, pelas frestas, pelos artigos não contemplados em nossos papéis.

Já quis tanta coisa melhor com tanta gente pior, sabia? Já amei sem me merecerem, já me apaixonei pelo reflexo que vi nos meus espelhos, alimentados por estas madrugadas altas que costumo me enfiar. De você, só tive o melhor. Nunca irresponsabilidades, nunca egoísmos, nunca nada além de uma atenção preocupada e a vontade em ocupar todos os espaços, cada pedaço desta coisa confusa que navego diariamente.

Direi isso na lógica simplista de quem sabe que o amor não é matemática: não era. E o que não é, não é. E ter clareza não signifique que não doa. Doeu, não dói mais. Entendo a necessidade do movimento e da queda vertinosa diária que precisamos para manter os dedos dados. Em determinado momento, não havia mais - sem que houvesse aquela cena para ser refeita e tresfeita, para se ficar mastigando-a pelo resto dos dias. E, talvez, este seja o fato mais triste: dessas coisas que foram se solapando sem perceber e, quando se viu, só havia sobrado aquele sentimento constrangedor de ser tão amado, mesmo que não merecesse.

Um comentário:

Anônimo disse...

pois é: masoquista