quinta-feira, setembro 23, 2010

Esquadros

Sigo por aí desatando nós, divertindo gente, falando ao telefone. A rotina desce mordendo os calcanhares e me vejo de lá a cá, nos trilhos da CPTM, perdido em mil obrigações fúteis. As relações de trabalho oprimem e me subverter novamente a servilidade do rapaz de recados dói bem mais que as noites que não durmo, os almoços que negligencio. Os amigos brilham em volta e até mandam notícias madrugada adentro, para dizer: você poderia estar aqui. Estarei, em breve, agora que setembro finda só nos resta este mergulho vertiginoso até 2011 e a esperança recorrente de que, sim, vai melhorar. Não sei onde será o Reveillon, não sei onde trabalharei no ano que vem, muito menos para quem venderei minha alma por um preço de liquidação. Às vezes tenho entrado no elevador e esquecido para qual andar vou, tenho tomado mil cafés quando fagocitado por uma companhia macia e me arrasto pela semana esperando quando você voltará para rotina. Finjo uma pretensa segurança enquanto escovo os dentes, procrastino a faxina enquanto o caos se instala pelo apartamento e, na espera da sua chegada, vou trocando isqueiros na maior cara de pau - laranjas, sempre peço. Guardo as tampas de Heineken, até tenho visto Topa Tudo por Dinheiro e ali, quando tudo é silêncio, relembro que viver é bom.

2 comentários:

Anônimo disse...

Viver é bom sim, é tão bom sim, descobrindo em qualquer volta, provenientes dos cantos de onde menos podemos imaginar, essas gratas surpresas como seus textos, que sempre pairam sobre nos e a gente lembra como viver é bom!
abzs.

Rafael disse...

Uma sensação de paz caótica, é isso? Depois de muita cabeçada é o que eu começo a buscar. Pelo menos por hoje. Volúvel que sou (ou somos) amanhã pode ser que mude. Hoje sigo, falando ao telefone, não mais chorando.
Pelo que acompnhei, feliz por você.