sexta-feira, agosto 27, 2010

Vento (Cecília Meirelles)

PASSARAM os ventos de Agosto, levando tudo.
As árvores humilhadas bateram, bateram com os ramos no chão.
Voaram telhados, voaram andaimes, voaram coisas imensas:
os ninhos que os homens não viram nos galhos,
e uma esperança que ninguém viu, num coração.
Passaram os ventos de Agosto, terríveis, por dentro da noite.
Em todos os sonos pisou, quebrando-os, o seu tropel.
Mas, sobre a paisagem cansada da aventura excessiva --
sem forma e sem eco,
o sol encontrou as crianças procurando outra vez o vento
para soltarem papagaios de papel.

Um comentário:

Rodrigo Teixeira disse...

Gostei, muito, do teu blog, e Cecíla hoje cai como uma luva.

beijo pra ti