domingo, agosto 08, 2010

(6)

Daí ficamos em silêncio. No jogo do siso, nos quinze segundos que me aguento antes de rir, ficamos naquela desculpa para a contemplação breve do rosto do outro, quase sempre de mãos bem dadas. Não se pode desviar o olhar - diz a regra - mas me deixo perceber a barba quase sempre mal feita, as linhas de expressão. Sempre sou eu quem baixa os olhos, rindo loucamente. Não me lembro do porque começamos a brincadeira. Acho que, o que aconteceu, é que em determinado momento o assunto acabou e acabamos ficando por ali: eu, a mesa, você, a cerveja gelada no fundo do copo e a confusão toda em volta. Foi o jeito que encontramos para desaguar todo nosso arrebatamento, já que verbalizá-lo parecia tolo naqueles dias.

Sempre perco, é fato. Mas, desconfio, que o intuito da brincadeira nem é a vitória. É se jogar, com vagar, enquanto a noite cai.

Nenhum comentário: