quinta-feira, agosto 05, 2010

(3)

Vejo um copo de branco leitoso, vagas cascas pretas de jabuticaba encimando só para dar aquele clima tropical. Talvez, um piano bar. Talvez tocasse naquele momento Sinatra, com alguém em voz de barítono começando um "my funny valentine...". Já seria tarde demais? A tarde já entrou na noite, com vagar preciso, de súbito. As mãos repousam naquela toalha verde musgo, ninguém parecia compreender direito o que se havia. Haveria, pergunto? Poderia levantar, como nos filmes e murmurar no ouvido do pianista: "Play it, Sam? Play it"? Talvez, nestes dias céleres e modernosos, me concederia esta última dança? Peito no peito, corpo no corpo. A respiração entrecortada quando abraço sua cintura e sinto quase todo o resto desfalecer. Meu queixo desce até a curva do seu ombro: barba na pele, você me abraça. Parece que esse bar já vai fechar poderia ser a próxima música. Vamos lentos, passo lá, passo cá.

Daí, acordo. Quando vejo pela janela, muito verde, muitos rios.

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