quarta-feira, agosto 04, 2010

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E ali no saguão de embarque, ainda faltava uma hora. Até abri o livro: "eu deveria cantar", mas tão logo o sono veio. O bar da Devassa e, por que não, talvez tivesse whiskey. E, para mim, whiskey sempre teve um quê de especial.

Aprendi a bebê-lo como se deve: com respeito. Nunca assim, esquenta de formatura com muito gelo & energético. Sempre respeitei o fato de que o coitado fica lá, anos imerso num bom carvalho, para que pegue o gosto da madeira, a textura exata.

Aprendi a beber naquelas noites longuíssimas de faculdade com o Joey. Logo me ensinou: o segredo é que vá para o fundo da garganta que não amarga. E que seja devagar, gole a gole. Logo já escolhi meu predileto: o Dimple, predileto também de Sinatra. E aprendi, tão logo, a tomar cowboy - gostá-lo assim, amargo e flamejante, em seu estado inicial.

No aeroporto, eu merecia. Da última vez, havia sido na sacada do Sofitel com Copacabana toda aberta aos meus pés. Naquele dia, acabei trocando por um martini sofrível, molhado demais e me arrependi. E quando cheguei mais perto, namorando as garrafas que repousavam silenciosamente nas prateleiras de madeira, só Jack Daniels, Red Label. Não havia aquela sinuosa garrafa do Dimple que gosto tanto.

Decidi que havia de ser Dimple ou nada. Assim, embarquei só sonolento e sóbrio meia hora depois. O que não me impediu de cantarolar, do solo ao solo, coisinhas assim: "fly me to the moon..."

3 comentários:

Anônimo disse...

hermano, adoro você falando de bebida. tô tendo umas ideias. te abraço forte, roubar esse calor de Belém.

Rafael disse...

Quando eu penso que tenho classe, vem você e esfrega esse post na minha cara, ha!

A. R. Costa azul disse...

Nunca te vi, mas ja me apaixonei, você é maravilhoso!!!