quarta-feira, agosto 25, 2010

(17)

Quando entrei no taxi, disse pausadamente: "ao aeroporto". Tentava esconder toda a exasperação na fala. Quinze minutos antes, um mail inesperado: compareça, venha, esteja aqui em dois dias. Daí veio pular na cama imensa do hotel, descer arfando pelas escadas, postar-se na sarjeta da Almirante Barroso com dedo em pé e dizer: "rápido, rápido".

E enquanto ele fazia o longo trajeto entre São Brás e o aeroporto, fui mastigando aquela cidade estranha pela penúltima vez. Bonita, ela, nunca tive muita dúvida. Por mais que houvesse tanto estranhamento, sabia que ela, agora, também fazia parte de um pouco de mim. Desde a claridade absurda logo pela manhã, os casarões portugueses abandonados, a conjugação verbal pela qual eu me apaixonei. Sei que, em breve, lembraria daqueles dias até com uma certa doçura apesar de todas as dificuldades.

O fato é que, naquele momento, só queria voltar. E, mesmo querendo voltar, ficava com o celular escorrendo pelos dedos. Até sabia o que fazer, só não sabia como.

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