domingo, agosto 15, 2010

(13)

Talvez eu esteja fumando demais. Tenho percebido isso quando chamo o Carlton, carinhosamente, de meu único amigo e me irrito por perceber que não há cinzeiros nos hotéis que me hospedo. Também, tenho bebido demais. Quase toda noite, naquela hora em que o calor tórrido se vai e sobra uma brisa morna, úmida, que se fosse no mar seriam os tais ventos alísios. Tenho dormido pouco, é verdade, e quando desisto de ficar lutando contra os lençóis abro a janela, acendo mais um cigarro, ligo o som e fico assim por horas e horas. Ser estrangeiro numa terra estranha te dá a capacidade de subverter a própria rotina e, tão distante de tudo, tentar acertar os passos. Tenho ligado muito para meus amigos, às vezes em horários indecentes para dizer indecências: me tira daqui, penso em falar, não digo. Só que as horas pingam num quarto de hotel artificialmente arrumado, com a mala já revirada do dia a dia e que, poxa, até queria ouvir Nara só que o que aparece é Maysa, rouca, nos acordes inicais: todos acham que eu falo demais.

Um comentário:

Carol disse...

Não costumo comentar em blogs, mas desta vez não resisti. Parabéns!