quinta-feira, agosto 12, 2010

(10)

Durmo muito mal por aqui. Todas as noites, mesmo exausto, fico rolando nos lençóis. E de nada adianta fumar um cigarro, tomar um banho gelado, talvez um copo de leite. Quando vejo, já passa da uma e estou ali, insone.

Daí vou para varanda e penso em todos que amo e estão longe. Todos, provavelmente dormindo. Penso na Vila Clementino e as saudades dos tchamos diários. Vagueio pelo Paraíso, naquela janela imensa, escutando as bossas. Daí, o pensamento fica naquela sala ampla da Capote Valente, depois lambe a Augusta e todos os punks, putas, indies, emos e congêneres que passeiam lépidos sob a noite fria. Depois, belisca as ruas desertas de Perdizes, as árvores frondosas de Higienópolis e vai seguindo além Anhanguera, cruzando Minas até a complicada e perfeitinha Brasília, terra de todos os poderes duvidosos. Todos amados, todos queridos, todos beijados.

E, enquanto me mantenho dentro dessa energia de bem-querer, os demônios nem vem tanto mordiscar os dedos.

Um comentário:

Anônimo disse...

hermano, não pensei que fosse sentir tanto a sua falta. pense num mês oco, flutuante.