sexta-feira, julho 09, 2010

O Encanto

Vejam bem, está tudo bem. Tenho ido do trabalho para casa, vezenquando só uma escapulida para me afogar em álcool sem muita culpa. A vida tem se desenhado num cotidiano morno e confortável, do jeito que sempre pedi. Todos me ligam, surpresos com a tranquilidade: onde andará você? e digo: diz que fui por aí, não tenho feito nada mesmo.

E o mundo continua girando. E, numa esquina destas, sempre existe alguém que vale um sorriso cúmplice. Acerta as primeiras referências, cita Caio F sem saber dos perigos. Vai me exibindo uma nesga de mundo que poderia ser minha e me surpreendo sempre ao me encontrar no português irretocável alheio, nas músicas que você diz gostar e que desenham o meu próprio roteiro sentimental.

Surpreendo-me, pois. Havia achado que, dentro de toda paz que me encontro, essas pessoas interessantes desapareceriam, voltando aos seus planetas distantes. Esconderiam naqueles bares à meia luz cheirando carvalho, enquando o dry martini não fica pronto. Ou talvez eu seria acometido daquele tipo de miopia, incapaz de reconhecer a beleza quando aparecesse.

Eu não consigo perder a capacidade de me encantar. Agradeço, silencioso, a bênção proporcionada só com uma ponta de exasperação. Sempre bom descobrir que, dentro do mundo estreito que me encontro, lá fora ele continua vasto, tão lindo palpitando nos embalos daquelas nossas bandas escocesas...

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