quarta-feira, maio 19, 2010

"Now the drugs don't work
They just make you worse
But I Know i'll see your face again"
(The drugs don't work - The Verve)

Hoje o dia amanheceu até ensolarado, apesar de tudo. Talvez porque já tenha acabado tudo em casa. Se você viesse aqui agora, só teria um copo d'água para te oferecer. Talvez eu nem abrisse a porta. Talvez eu nem te oferecesse um copo d'água. Porque você viria com todo seu juízo moral, as frases feitas, suas críticas mordazes. Eu não preciso te escutar, eu precisava de você, como eu precisei de você. E você nunca veio. Sim, porque você só falava do sofá mal-arrumado ou do equilibrismo imperfeito dos pratos da pia. Que eu precisava ser sempre mais, sempre mais. E eu não conseguia. Você sempre menos, sempre menos. Eu desaprendi o caminho da minha porta, você também. Seu sorriso se apagou nos cinzeiros de casa. Você e sua mania de câncer de pulmão. Você e todas essas manias irritantes, invasivas. Você bagunçando minha bagunça. Você bagunçando minha vida.

Talvez eu me recupere, apesar de você. Vou melhorar sem você. Quem sabe eu demore um dia ou dois para me recuperar. Às vezes eu até me aventuro pela sala, pelo telefone. Porque você é assim, tão irritantemente especial? Porque sabemos que vai começar tudo de novo, você virá, a bagunça, os pratos, os cigarros, o banheiro. Nunca muda. Porque depois de tudo que tomei ontem a noite, só cheguei a uma única conclusão: de todos os meus vícios, o maior deles é você.

"If Heaven calls
I'm coming too
Just like you said
When you leave my life
I'm better off dead"
(The drugs don't work - The Verve)

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