sábado, maio 08, 2010

Moralidade

Dá para confiar em quem se auto-intitula: um egoísta, daqueles que só pensam em si mesmo? Tudo bem que, depois de anos de convivência, se percebe que grande parte do discurso vem a calhar com a insistência naquela imagem do Príncipe Dinamarquês soturno, do indivíduo borderline que tenta procurar seu espaço na contramão do mundo. Eu até tenho uma simpatia imensa pelo tipo, confesso. A situação, agora, é outra.

Estou falando daquilo que move o mundo, grana. Falo de algo que posso assumir sozinho, sem muitos atropelos, com a vantagem de poder comprar meu Nintendo Wii à vista num futuro quase imediato. Ou, na base da camaradagem, carregar o piano junto só pelo prazer de se estar junto, dividindo os louros pelo prazer de se fazer algo que gosta com alguém que se tenha alguma afinidade.

Lógico que eu tenho os meus defeitos, passo longe da Madre Teresa de Calcutá. Sempre desconfiei muito mais dos altruístas convictos, de quem enche a boca para dizer que se enfia num barquinho pelo Mar do Norte para salvar as baleias dos islandeses. Não estou pregando moralidade de discurso nenhum: até respeito quem admite uma característica de caráter malvista pela sociedade.

A questão é apostar as fichas sem esperar reciprocidade. Amizade não seria isso? Seria. Mas, dá para considerar amizade quando o que se tem é proximidade sem necessariamente ter intimidade? Postergo minha televisão de LED em troca de um voto de confiança?

Minha mãe sempre diz que cães velhos não aprendem novos truques e não paro de pensar nisso. E, às vezes, gostaria ainda de ser aquela Pollyanna surtada, divertindo-se com o jogo do contente. Como diria Wilco: "I miss the inocence I've known".

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