quinta-feira, maio 27, 2010

Eu te amo

(para ser escutado ao som de Chico Buarque, Eu te amo)

Pareceria até um tanto ridículo de confessar, mas o fato é que eu, aos vinte cinco anos, nunca havia escutado um eu te amo que valesse. Quero dizer: nunca havia construído algo que chegasse naquele ponto em que se dessem as mãos, a tranquilidade no peito, toda a taquicardia em se abrir a guarda.

E, vejam, nem foi por falta de procura. Na verdade, quase toda a parcela de culpa estava na minha incapacidade de escolha, nos meus eficazes mecanismos de auto-sabotagem. Sempre tive uma queda por relacionamentos tipo síndrome de Estocolmo, onde era eu o sequestrado. Tive, nos últimos anos, tudo o que não era e não devia. De realmente estar investindo, de peito aberto, para que se escorresse pouco tempo depois pelos dedos sem que muito pudesse ter sido feito.

O amor, para mim, sempre foi algo difícil. E não que houvesse em mim uma aridez, uma incapacidade em lidar. Não que nunca tivesse querido estas fábulas românticas de gôndolas, passeios pelo parque ao entardecer. Não, nunca acontecia. Todos estão tão dangerizados pelo mundo cão, pregados nos desejos egoístas, na vaidade burra de se querer algo além do suficiente.

E não vou fazer a linha, aqui, da redenção pelo sofrimento. Acredito mesmo é na falta de sorte, do acaso fortuito. Porque, contarei: aconteceu. De presente, mãos dadas num dia frio, perdidos no Largo do Arouche logo após o show do, aham, Sidney Magal. Bêbados, trôpegos, havia uma gangorra. Ficamos naquele sobre e desce pueril, vários minutos. Aglomerações passavam enquanto o show do, aham, Luiz Caldas não acontecia. Até que você desceu, pegou nas minhas mãos e disse, numa ternura tão fácil:

2 comentários:

Ruy disse...

Eu tava lá! Perto da gangorra, e não vi essa "sena". Hahaha.

Alguns diriam parabéns, eu prefiro dizer aproveite.

Liliana Rosa disse...

Adorei texto, você escreve muito bem, ame assim também, valerá a pena. Engraçado que já morei no Largo do Arouche.
Tudo de bom para você!