domingo, março 14, 2010

Uma outra estação, quase.

No penúltimo dia, acordei logo quando amanheceu. Todos na casa ainda estavam desmaiados da noite anterior, vítimas daquela ciranda habitual de muito álcool e muita alegria acumulada. Abri as janelas e estava um sol daqueles, senegaleses. Tão desperdício ficar na cama quando existe praia, quando existe o mar.

Fui, sozinho.

Abri a primeira cerveja enquanto um bom amigo paulistano, descendo a serra, não chegava. E quando chegou, contei-lhe toda história: quase três anos de desencontros, malogros, silêncios pontuados. Quase três anos de ilusões baratas e agora, e agora quando tudo poderia acontecer...

E daí meu bom amigo, interrompendo minhas divagações fúteis, levantou-se e me deu três tapas na cara. Choque de realidade, baby. As palavras precisas foram que: quem gosta traz para perto. E ali, todo tempo, nunca havia um aperto de mãos mais longo, nunca houve qualquer tentativa de sincronia de movimento.

Só havia o encontro, a vaidade talvez de receber minha atenção preocupada, nada além.

Daí, ali, eu quis chorar. Só não sabia como.

4 comentários:

Tatiana Pinheiro. disse...

"As palavras precisas foram que: quem gosta traz para perto. E ali, todo tempo, nunca havia um aperto de mãos mais longo, nunca houve qualquer tentativa de sincronia de movimento.

Só havia o encontro, a vaidade talvez de receber minha atenção preocupada, nada além."


Isso me remeteu a um passado não tão longíquo. E doeu.

Lindo blog.

Cristiano Contreiras disse...

Parabéns pelo blog!
Sereno e intenso, abraço!

te seguirei

Andreia disse...

Identificação imensa...
Não canso de ler. É tudo lindo, porque pra mim é real.

Ruy disse...

Constatar doe.

Ps.: sumiu das redes sociais, sei que tá vivo aqui pelo blog só.