domingo, dezembro 06, 2009

Uma outra estação, parte 3

Daí, voltei. Trabalhei uma semana, como se fosse a última. E vieram férias. Daí, eu fui de novo.

Fui para além do rio Grande. Fui para Minas, minha casa por tantos anos. Nada assim que fosse muito grandioso: primeiro, um casamento. Depois, ficar naquele embolamento sem motivo com tanta gente que gosto tanto. Noites tépidas de bebedeiras na praça, aventuras nos drive-thrus madrugada adentro, recolher todo carinho plantado por tanto tempo e ficou ali, vingando, à distância.

Quando ali pela terça-feira, celular toca. A mensagem é simples, também inesperada: sabe, estava pensando em você, deu saudade - coisas assim. Sorri. Era do Rio, destes amores telegráficos que acontecem e se mantem numa energia positiva. Respondo: ora veja, não diga essas coisas. Estou de férias e num estalo estou aí. A resposta, foi sucinta: então venha.

Daí, aquele atropelo: corre pra internet, vasculhando as passagens baratas. Ligo para os amigos pedindo benção, pedindo conselho do onde ir, onde ficar. Chego em Sampa, compro mala (daquelas pequenas, uma pessoa, viagem curta) e filtro solar e várias bermudas, também faço a barba pra ficar bem rente e escolho, com atenção, todas as camisetas que gosto tanto até pensando qual dia vai ser o dia daquela salmão que gosto tanto e daí a viagem é amanhã, dá insônia, poxa, é o Rio né e, poxa, eu tenho trauma do Rio. Sou daqueles que até escutam, nas bebedeiras amargas: "eu nunca sonhei com você, nunca fui ao cinema, não gosto de samba, não vou a Ipanema, não gosto de chuva, nem gosto de Sol".

Daí, chegou o dia. Um pulo no Anhembi, abotoado até o pescoço para parecer alguém respeitoso. Conto as horas, tipo duas da tarde e saio. Sampa ainda estava desgovernada por conta do apagão e ali pelas três da tarde já batendo os cem quilômetros de congestionamento. Vamos, devagar e sempre, preso na Marginal. Vejo as placas, escuto no rádio: tudo parado, piorando. Presto atenção, para constatar: estava do lado errado.

Desespero, e agora? Pego o primeiro retorno, vejo as faixas: pontes em obras, caos urbano. Pela primeira vez, penso que não vai dar. Ultrapasso caminhões perigosamente, embico por caminhos que sabe se lá onde vão dar, cruzo a ponte, pego outro lado. O rádio vaticina: cento e cinquenta quilômetros, vai piorar. Relógio marca quatro horas, mais uma hora e meia perco o voo. Daí, desespero.

Queria ir ao Rio. Pela possibilidade da leveza, da beleza, da ternura. Queria ver o Rio bossa tranquilo, sem as dangerizações do Reveillon. E se desse errado, no clima da outra estação, nada impedia de praia, mojito na mão, óculos escuros & mar com o desconhecido todo pela frente.

Fecho os olhos, suspiro. Vai dar. E vai dando. Pela Marginal, pego a Dutra, chego em Cumbica. Piso no check-in, deixo as malas, ainda sobra tempo prum Quarteirão com Queijo devorado em três dentadas no aeroporto. Daí, chamam: atenção voo de Cumbica em direção ao Santos Dumont, embarque imediato. Tardezinha, tempo bom e aberto. Partimos quase seis da tarde.

E depois, bem.

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