domingo, novembro 01, 2009

Life in Technicolor

A leveza sempre foi algo tão difícil de definir. Acabo percebendo-a de formas indiretas, como se fosse aquele entorpecimento depois do primeiro copo de martini ou o arrepio que segue um beijo cinematográfico.

Nestes dias de leveza, nada acontece de fato. Os dias ocorrem um após o outro, sem grandes paixões, sem grandes martírios. Levo o lixo para fora, faço compras no mercado, levo as roupas para lavar. Às vezes, um porre sem maiores perigos, noites vagas de pouco resultado. Não há sede, não há esperanças.

Lá fora, os dias duram mais. Dá vontade de sair de casa, voltar para academia, talvez praia logo mais. Faço planos, compro livros, arremato aquela pólo salmão que há tanto paquerava na vitrine. Na iminência do ano que finda, aquela energia toda boa do destino em aberto para o reveillon, os novos projetos, os novos (des)caminhos. Pela noite, já vejo iluminações. Por aqui dentro, a percepção de que está chegando, ainda que sem cara ou rosto.

Brand new, disseram-me os astros, os signos, as placas da Paulista, os caminhos do Metrô. Coldplay tem tocado tanto por aqui e me diz: "now my feet won't touch the ground".

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