sexta-feira, agosto 21, 2009

Apenas o fim [5]

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E sai. E aí? O que fazer com o resto das horas, do dia? Com aquela terça feira preguiçosa, naquele espaço de tempo perigoso entre o jornal e a novela? Naquela ausência do telefone que não toca pra dizer bom dia, das tardes seguras pelo destino certo de logo mais, com a rotina cadenciando tão redonda por aí.

O fato é que tinha que seguir, a vida. E até a imobilidade exige uma movimentação, até porque quem imóvel fica gira na velocidade dos continentes. Dia após dia, foram chegando: nada decisório, nada radical. Só escovar os dentes, acordar cedo, me prostituir a preço barato. Nada além do pão, do suor e do sangue. Fomos indo, aos trancos e barrancos. Mas indo.

Passava até bem. Gente perto, abraços e carinhos. Calor humano, sabem? Pois bem. E quando, naqueles dias de verão, as coisas até caminhavam prenunciamente ensolaradas: o telefone tocava. Pra você me dizer: então, queria saber como você está. Esforçava-me para dizer: banalidades, coisas assim. Nada da verdade. Nada de, talvez esteja aqui, na mão com um copo de conhaque ou um 38 armado, apontado na boca. Nada de completamente dangerizado pelo amor que passou, obrigado.

Quando, após laconismos, a ligação terminava, vinham os abismos. Elocubrações. Talvez se fosse, se tentasse mais um pouco, se jogasse o restolho de amor próprio pela janela. Até que após uma dúzia de ligações como essa e abismos subsequentes suficientes pra bater ali no fundo do mar, liguei em seguida. Pra saber: e aí? Se não me quer, porque me liga? Se não me quer, porque não me esquece?

Daí, uma lição de sabedoria. Disse que estava bem, que gostava da minha pessoa e da minha amizade. Que se importava comigo. Dessas coisas modernas, hipocrisias tépidas, da fineza (desnecessária?) no trato. Pensei em responder caiofernandidades: amigos, eu tenho um monte; você queria mesmo era na minha cama, ponto final. Queria dizer que sou daqueles que dinamito pontes quando elas não me tem serventia e que não acredito em relações que só podem chegar até certo ponto. Queria mandar tomarnocu, foda-se, mas sou educado.

Só pedi pra nunca mais, nunca mais me ligar.

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