sexta-feira, agosto 07, 2009

Apenas o fim [3]

(1) http://martiniseco.blogspot.com/2009/08/apenas-o-fim.html

(2) http://martiniseco.blogspot.com/2009/08/apenas-o-fim-2.html

E cuidou. Coisas simples, por quase uma semana. Logo cedo ele saia de casa e eu, tão mal acostumado dessa vida medíocre de labutar quando sol raia, levantava em seguida. Os dias eram de um ócio improdutivo exemplar: ver desenho, varrer a casa, lavar a louça do dia anterior. Ali pelo meio dia, aquela dúvida existencial se assistia Vídeo Show ou lia "Crepúsculo" (parei na centésima página, afinal, ócio improdutivo tem seus limites). Sempre amigo ou outro chegava e ficávamos ali, trocando figurinhas e energias boas até alta madrugada. Me bastou, de imediato.

Devagar, fui percebendo que a vida continuava. Principalmente quando revi o vídeo da minha formatura, com o meu discurso de orador. Lembrei que, naquele momento, estava me sentindo tão pleno, tão seguro - apesar do spot tão iluminado na minha cabeça, do meu sotaque chiadinho, do meu sorriso às vezes assimétrico. Lembrei daquele jeito de estar bom, vida seguindo fácil, tipo velocidades de cruzeiro. Era preciso voltar ali. Até sabia, sem saber como.

Tive alta dos cuidados intensivos ali pelo quinto dia. A vida urgia, as férias chegavam ao meio e ainda queria fazer um caminhão de coisas. Deram-me abraços longos, prescreveram carinhos de rotina e reinteraram que era preciso, acima de tudo, paciência e parcimônia. Também, como era bom se enxergar belo no espelho alheio e refletir.

Arrumei as malas, carregando-a de nostalgias e sem muito sacrifício. Mas quando entrei no ônibus, principalmente naquele trecho quando o rio Grande é espelho longo d'água, lembrei: a leveza é sempre, sempre insustentável...

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