terça-feira, junho 02, 2009

The Turning Point

Foi quando saí de casa, nestes dias de despedida destas ruas tão familiares que percebi: o ônibus não estava mais lá. Se foi vendido, se foi roubado, se foi levado para uma road-tripping pelo mundo, não sei. Só sorri, da coinciência da data: fazem seis meses, não?


Fiz as contas, para ter certeza do fato. Porque, afinal, já era tempo de tirar os panos de luto da janela, botar aquela velha caixa correnteza abaixo e seguir em frente, bambo e torto com a sombrinha na mão. Pela cidade vejo pessoas vendendo morangos, penso em Clarice. Volto nestes ônibus tão cheios, me apoiado na barra enquanto o veículo desliza pelo caos da cidade e lembro que tenho trabalhado tanto, pensando em Caio Fernando.


Sem perceber, as coisas acontecem. Faço o balanço dos dias e nunca foram tão plenos. O esforço frutifica, a vida parece que se encaixa numa loucura silenciosa. Quando penso que seria tudo só ladeira abaixo, só suor e sangue: há essa beleza tão working-class de se sentir pleno com o que se faz.


O coração nunca permanece vazio. Mesmo quando negligencio, desatento, sou pego de susto: há sempre uma história que acontece inesperadamente. Dessas cinematográficas, que valeriam um curta nestes últimos dias de outono tão iluminados. E mesmo que elas me deixem no mesmo lugar, há essa energia boa do acontecimento, da possibilidade. E de vivê-las, reencontrar-me novamente bonito e valorizado no espelho do outro. E de me ver assim, tão iluminado novamente, aprumar a coluna, quem sabe até comprar aquele perfume de pimentas pretas? Quem sabe, até fazer aquela tatuagem...


Sampa segue gélida, nestes últimos dias de outono. Os dias carregados de tanta luz que até doem. As felicidades são telegráficas e há promessa de coisas melhores por vir. Veja lá, voltei a ser a Pollyana surtada? Não sei. Só sei que é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê...

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