quinta-feira, abril 02, 2009

Gran Torino

Gosto tanto da beleza da expiação dos pecados, a redenção alcançada pelo sacrifício. Esse é o máximo de catolicismo que minha natureza agnóstica consegue admitir. Sempre fiquei encantado com os apuros de Alex, em Adeus Lênin!, recriando uma Berlim pra se apaixonar, no final, perdidamente por ela ou numa Londres apocalíptica em V de Vingança. É essa sensação que sai depois de ver Gran Torino.

Gran Torino é de uma beleza absurda. É fatalista, injusta, real. Porque às vezes os caminhos corretos são becos. As pessoas boas também se perdem. Pode-se ser o melhor e não bastar. Os bandidos também vencem.

E a inocência, acreditem, não é passaporte imediato para o céu.

E, encerrando, o trecho final da coluna genial desta segunda de Luiz Felipe Pondé:

"O cineasta aponta para o verdadeiro nó da condição humana, hoje e sempre: quem tem coragem de enfrentar o mundo sem ser parte do rebanho? Ao final, o jovem vietnamita passeia com seu troféu: o Gran Torino, o símbolo da nostalgia de um tempo onde as pessoas sabiam que o destino é sempre imperdoável".

Nenhum comentário: