segunda-feira, março 09, 2009

Summer love

Tenho uma grande amiga carioca que, ao voltar de um mês entre o "iluminado" Rio de Janeiro e as praias de Cartagena, na Colômbia, voltou com o conceito de Summer Love. Nada de novo do velho amor de praia, mas o conceito que é legal.

O Summer Love, obrigatoriamente, tem que ser leve e despreocupado. Cores vibrantes, auto-suficiente. Confortável como um fim de tarde, quando bate aquela brisa do mar. Pode até ter um componente diurno, mas deve mostrar seu brilho máximo durante a noite, principalmente naquelas noites de lua cheia que nos botam tristes igual o diabo.

Não existem cobranças, não existem futuros. Não existe "sabe-eu-tive-um-grande-amor-que-me-feriu-pra-sempre-óh-deus". Só sobra o raso presente, as coisas palpáveis. As coisas leves que ficam ali, boiando, para o único trabalho de pegá-las sem compromisso.

Summer love até pode ser banal - e se não for, já é lucro. Lógico que se pode discutir a recepção aristotélica de Santo Agostinho madrugada adentro, mas não é isso que importa. Da mesma forma, pode-se perder horas em importâncias, tipo astrologia, vegans, porres históricos. É preciso só o magnetismo do encanto, do encontro casual das epidermes que se complementam. As linhas que o mantém, não importando qual sejam, é que se devem ser mantidas.

Nada do formalismo do whiskey, da insipidez da vodka. É o Mojito que melhor representa o Summer Love. De se tomar numa golada, seja na praia, no bar chique, no conforto do sofá-cama num filme a dois. Ah, Summer Love combina com casualidade - e não entenda isso como sinônimo de libertinagem. Quando digo casualidade, nada do blasé das baladas da Vila Olímpia ou qualquer coisa coisa que se venda por um preço muito mais alto do que o real - quero dizer: acompanhe o pé-sujo da Augusta, um passeio no cemitério da Consolação, a absoluta falta do que fazer duma terça a noite.

E se o Summer Love não liga, nada de telefones escorrendo pelos dedos, a espera pela mensagem que não vem. Toma-se o banho, ganha-se a rua com aquele mesmo sorriso do algo acontecendo. O Summer Love tem uma capacidade imensa do esbarro, surgir inesperado ali na esquina. Existe esse componente caótico, pronto para iniciar essas montanhas-russas dos amores que abalam estruturas e nos deixam, ao amanhecer, na fila do pão, com o sorriso mais besta...

E Summer Love são finitos. Pontuais. Lógico que há a chance do Summer Love atravessar a estação e integrar a coleção outono-inverno. Mas nunca, nunca espere isso. Pois seu encanto está exatamente aí: na urgência. Nunca se sabe quando, ao virar da esquina, se o Summer Love teria perdido a sincronia do acaso...

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