segunda-feira, março 02, 2009

Dois meses

Não vou dizer que, nestes dias, sua ausência seja uma constância. Mas, veja bem meu bem, também não vou dizer que os dias passam em brancas nuvens, sem alguns desassossegos. Tenho percebido que sinto sua falta nas banalidades.

Por exemplo: semana passada fui ao mercado, coisa que odeio. E só consegui ir após um exercício imenso de procrastinação e a geladeira desértica. Pois bem, fui, listinha bem ordinária nas mãos. Coisas assim, bem adultas: alvejante, sabão em pó, etc. Daí que senti sua falta. Lembrei-me da sua alegria em ir em supermercados, indo de prateleira em prateleira, fuçando nos produtos. Sempre que estávamos lá juntos, de repente te perdia pra te encontrar no meio dos azeites mediterrâneos. èramos tão diferentes: sempre tive hiperfoco, ficar preso a listinha de compras, não conseguir prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo.

Era você quem mostrava a prateleira do lado, as novidades que não conhecia - e nem tinha lá muita curiosidade de conhecer. Fazer compras era de uma banalidade feliz - lembro que, ao guardar as compras no porta-malas, sorria meio besta sem saber porque.

Hoje sei. Dói, tá, é isso.

E ainda sou preso a minha listinha ordinária, tenho hiperfoco, tenho necessidade do outro para desencadear mudanças. Diria Coldplay, nas minhas favoritas: we never change, do we?

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