quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Brand New*

Tenho atendido telefonemas com displicência, tergiverso respostas telegráficas. Tenho estado impermeável a certos carinhos, certas promessas. Não que esteja sendo falso ou ególatra. Abusando da boa vontade alheia, sabem? Só não está acontecendo.

Daí eu lembro que é a arte do encontro é rara mesmo e, desta forma, escapo daquela justificativa fácil. Não quero dizer: ah, sabe você, eu tenho uma(s) história(s). Fui deveras dangerizado nas minhas últimas relações e agora não permito me dividir com ninguém. Não é real. Aliás, pode até ser real, mas é de uma covardia imensa: comigo, com os outros.

Não quero culpar ninguém pelas minhas inabilidades, minhas deficiências. Não quero me apoiar na memória vaga de ninguém para justificar meus atos falhos, minhas filhadaputices. A culpa sempre será minha, por não ter digerido, não estar preparado. Que todo início seja um reinício. Todo encontro seja o primeiro, o único, brand new. Os pontos de partida sejam isentos de nossos pecados anteriores.

Mesmo que seja só pra ser ilusão, eu quero ser uma folha em branco.

* Ao som de Brand New Start - Little Joy

*****

"E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar"
(Chico Buarque, numa prece íntima)

*****

PS - incrível como meu discurso Shinny Happy People desaba com tão pouco. Também queria que ele fosse um pouco mais real e menos simulado. Queria também me fiar cegamente nele. Mas, vá lá, com o bom e velho Coldplay tocando: "Nobody said it was easy/ No one ever said it would be this hard/ Oh take me back to the start"

Nenhum comentário: