domingo, dezembro 07, 2008

Além do Horizonte

Havia aquele ar de ambiente artificial, meio aquário: plantas, sofás amplos, uma bossa meio lounge. Para fechar um cenário cinematograficamente kitsch, só faltaram nativos de camisas estampadas, oferecendo colares de flores pros recém-chegados tão brancos. Todos tão solícitos, derramando sorrisos. Lá fora tropicalidades, sol escaldante, uns coqueiros, o barulho do mar.

Na beira da piscina, dias regados a vodka com frutas nativas, noites regadas à prosecco, dias e noites comendo frutos do mar. Cruzando o hall, a música cadenciava o cotidiano sem pressa, seja jovem guarda que Nara Leão tomou emprestada: “além do horizonte existe um lugar bonito e tranqüilo pra gente se amar”, sejam noturnos com Sinatra: “fly me to the moon, let me play among the stars”.

Uma semana assim, devagar. Areia branca, água tão azul, noites estreladas. Nadar com os peixes, assustar caranguejos, procurar raras lulas pelos corais. Quanto tempo sem viver tão despreocupadamente assim, dois anos? Desde Fortaleza, isso mesmo, dois anos. E foi preciso a Bahia e dias de intenso não-fazer pra compensar este ano inteiro de trabalho árduo e pequenas frustrações.

E ali pela terceira noite, naquela cama quase piscina funda de travesseiros e edredons, velar teu sono enquanto murmuro “dream a little dream of me”. Relembro que a vida também pode ser fácil e que, com um leve pesar: ainda é preciso muito esforço para colocar as coisas no ponto que deveriam estar. Mas deixa estar, deixa isso pra quando chegar em Cumbica: amanhã tem praia, amanhã tem Sol & camarões imensos...

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