quinta-feira, novembro 20, 2008

The real me

“When real people fall down in life, they get right back up and keep walking.”
(Sex and the City)

Sempre que a vida está à beira de um desastre (sejam eles reais ou inventados, não importam), mentalizo uma das minhas cenas prediletas de Sex and the City. Nela, Carrie está fantástica, todos não cansam de lhe dizer. Ela está pronta para entrar pela passarela, com aquele spot luminoso bem centrado nela. Ela se sente confiante, desejada, dona do poder. Daí a música pára, pruma pausa dramática. E ela entra, em passos duros.

Para, dois segundos depois, cair solitariamente ao chão.

Escutam-se os clicks. Escuta-se o burburinho do fracasso ao fundo. Escutam-se, velados, os risinhos de escárnio pela desgraça alheia. Ela ainda demora alguns segundos para perceber: está ao chão, completamente exposta.

Neste momento que se fazem as escolhas difíceis: pois pode-se culpar o salto que estava fora do lugar, a noite mal-dormida na dedicação de um projeto qualquer, o nervosismo, as inabilidades, as frustrações. Correr para trás sem dar explicação alguma.

Ou engolir seco, respirar fundo e seguir em frente. Pois ali, havia até uma beleza em se reerguer. Os passos duros tornam-se verdadeiramente confiantes, sem a necessidade da auto-aprovação. E ao final da passarela, no clímax, até sorrir da vitória íntima alcançada.

E nestes dias de quedas silenciosas, só nisto que penso: na beleza da recuperação. Há tanto tenho falado da nossa capacidade imensa de cicatrizar e alcançar os limites, se isso for desejado. Daí, quando perco o controle e me vejo refém de todos os meus defeitos crônicos, vem "Got to be Real" na cabeça e uma vontade imensa de se superar.

E que fodam-se as quedas, as falhas, as vergonhas e as frustrações. Só mentalizo aquele segundinho de glória no final da passarela, altaneiro, como se nada tivesse acontecido.

http://www.youtube.com/watch?v=yqYGoQsLPWg

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