segunda-feira, outubro 06, 2008

Antes um mês...

Eu viajo e lá de longe, dirigindo, penso em você. E quando penso que, ao chegar na rodoviária pra comprar a passagem, iria ligar para te dizer a hora que volto e o quanto está estranho não te ter na ponta dos dedos, você me liga. Falo um rápido "estou dirigindo" e você ri do lado de lá da linha, mando um beijo procê e imagino que você sorri, meio assim, sobrando no canto da boca.

E assim vamos: eu te ligo bêbado às duas da manhã pra dizer qualquer coisa, você não entende direito e eu repito uma história confusa. Penso que estou ficando bêbado com tão pouca bebida ultimamente. A intenção da ligação não lembro, mas a conversa termina com um boa noite e penso antes de cair num sono cansado e ébrio: que é estranho não te ter por perto.

O dia segue e você me liga de novo pra pedir: não seja preso. Respondo que vou tentar, falamos umas gracinhas, rimos. É, queria ter te ligado na hora que eu sabia que estava acordando mas não aguentei. Sorrio mentalmente e mentalmente ainda me imagino brincando com o lóbulo da sua orelha, enquanto estou deitado em seu colo.

E de longe você corrige meu subjuntivo falho, meu espírito procrastinador. Pelo menos a rinite, fora de Sampa, passa bem. Te ligo da rodoviária, pra dizer que estou saindo e no meio da conversa a bateria acaba. Fico ali, celular escorrendo nas mãos, com um bocado de palavras na garganta. Logo chego, logo ligo: estou no Tietê, vem logo. E você demora.

Te ligo, te ligo, só caixa postal. E de repente veio um medo, meio infundado confesso, mas nessa cidade tão grande e confusa, vai saber o que acontece por essas ruas desertas e violentas. E deixo o sono de lado e te espero paciente, observando o sussuro lento do vento soprando a garoa lá fora, hora a hora da madrugada. Você chega, pé ante pé, pra não me acordar.

Sorrio, você sorri. Te abraço longo, forte. Tão estranho estes dias sem você, o que acabo concordando silenciosamente. Você me fez tanta falta, acabo soltando, sem pensar. Damo-nos as mãos, apesar do degrau no colchão. Você me abraça, eu te abraço.

E fica tudo bem.

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