segunda-feira, outubro 20, 2008

10 canções: #4 - Kite - U2

[para Maligna, pelos velhos tempos]

"Something is about to give
I can feel it coming
I think I know what it means"

Eu sempre quis ser aquela Kite perdida, baby. Sempre quis ser aquele pontinho colorido, solitário no meio do céu. Sempre quis essa leveza ofegante da pipa que navega sem destino, quase sem peso, a deslizar em pálio aberto. Tão somente presa por um fio, na fragilidade perigosa das coisas livres.

E a liberdade que sempre quis era uma coisa difícil de mensurar. Não é aquela de ir e vir, do direito de tomar um porre em qualquer terça-feira e ninguém se importar, de se dar alguns luxos sem ter quem cobrar. É a facilidade de se movimentar sem ter o coração sobressaltado pela espera de alguém que nunca virá. É de se permitir qualquer coisa, sem medo da censura alheia. De não ter essas muletas sintomáticas, de só postergar aquelas dúvidas que aparecem na madrugada. Ter o passado zerado, sem amarras para outros reinícios.

E é mais ou menos isso que a Paulistânia tem me oferecido. Dentro do caos, de toda solidão, pude aprender a selecionar aquilo que me era essencial. Das histórias antigas, a certeza de um ponto final para prosseguir de peito aberto. E, apesar da vertigem da queda, uma certa segurança nos passos, nos gestos. Como há tanto queria: poder abrir os braços longamente, sentir o vento soprar e subir, subir - quase sem peso. Tão leve que mal consigo ver o chão...

E mesmo que saiba que toda leveza é insustentável, não irei preocupar antes da hora. Existem novas amarras, os novos pesos. Mas, na liberdade do vento que sopra: hei de viver um dia de cada vez...

"Who's to say where the wind will take you?
Who's to say what it is will break you?
I don't know which way the wind will blow..."
(Kite - U2)

Outras canções:
#3 - Cotidiano número 2 - Vinícius de Moraes
#2 - Quando você passa - Sandy e Júnior
#1 - Na sua estante - Pitty

Nenhum comentário: