terça-feira, agosto 05, 2008

10 canções: #3 - Cotidiano número 2 - Vinícius e Toquinho

"Há dias que não sei o que se passa", canta Vinícius preguiçoso embalando o sexto mês de Paulistânia. E os dias se seguem sem muitas dores, sem muitos amores, sem muitas elocubrações. E é até bom.

Mas que isso não seja sinônimo de mediocridade ou mornidão. Tenho até vivido bem, poucas e boas. Algum dias de luxúria, outros de solidão. Não há semana que não passe sem um pouquinho de vida palpitando por estes caminhos tortos. A diferença é que as coisas passam, sem necessariamente serem marcantes. Tenho vivido, quase sem exceção, banalidades.

"Quem sabe nosso dia vai chegar", cantarolo junto fechando os olhos: porque tenho esperanças. Mas é uma esperança, confesso, um tanto confusa e sem pressa. Tenho aprendido a caminhar em silêncio e com vagar - respeitar o tempo das coisas, que insistem em não arrebentar em felicidade quando a gente mais precisa. Enquanto isso, vou desenhando figuras, talvez academia na semana que vem se a moleza passar, vendo filmes, ganhando dinheiro. Faço planos pouco imediatos e, o que espero deste ano longo e potencialmente complicado é que acabe de uma forma rápida e indolor.

"Aos sábados em casa tomo um porre / E sonho soluções fenomenais" , procurando novos sabores. Desde a vizinha Norteña, dos planos do Atacama. Desde permanecer na insistência mesmo sem fé alguma, com o nariz doendo das portas batidas na cara. Desde deixar as raízes fortificarem nesse solo tão concreto e deixar o passado passar sem novos sobressaltos. Desde ligar o foda-se pra viver de uma forma mais verdadeira.

E me deliciar com cada fracasso ou cada guinada que me leva a um novo caminho. Também aproveitar a beleza do desconhecido quando se perde ou até a imobilidade das longas horas travado nos engarrafamentos. Nestes dias de vias expressas imóveis ou trajetos de sinalização confusa, perceber que os caminhos são tão importantes que os destinos.

"Mas não tem nada, não / Tenho o meu violão", porque neste tempo todo percebi: nada preciso além de mim. Sem Pollyanices aqui: tão bem estou, tão bem vou. Tão bem me habituei a este cotidiano de caos, suor e sangue. Porque os dias seguem numa sucessão que só não é irritantemente comum pois não há nada mais lindo que um cotidiano que corre liso: entre altos e baixos, sem sobressaltos.

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