quinta-feira, junho 12, 2008

Os falsos sentimentos

Acordo todos os dias, fito o espelho e repito sete vezes num fôlego só: que seja doce. E abro as janelas pra ver o Sol entrar, cantarolo qualquer música feliz, cumprimento os vizinhos no elevador e até fico procurando essas pequenas coincidências em cada passo que dou até o dia realmente começar.

Banco a Pollyanna surtada diariamente para não entregar meu coração a uma espiral de ódio e rancor.

Porque, quando vejo, já estou destilando respostas duras e petulantes. Como minha mãe bem disse, dentro da minha irritante onipotência que me é natural. Quando vejo, estou rifando todo amor que sinto por coisas tão vagas quanto liberdade, auto-suficiência, orgulho.

Não que eu seja puro-e-casto - passo longe de Madre Teresa de Calcutá e sempre achei que o caminho da santidade é tão incerto quanto os caminhos da perdição. Também me reservo ao direito da vingança indolor, das maldades controladas. Só não quero que o que é uma resposta saudável a tanto desamor tome proporções incontroláveis. E que tanta gente que me é cara seja consumida nesta fogueira de vaidades.

Portanto, repito sempre: que seja doce. Abro as cortinas num sobressalto e fito a janela: pra achar até os dias meio foggy tóxicos de Sampa irresistivelmente belos.

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