terça-feira, abril 22, 2008

Into the wild


"And I also know how important it is in life not necessarily to be strong but to feel strong. To measure yourself at least once. To find yourself at least once in the most ancient of human conditions. Facing the blind death stone alone, with nothing to help you but your hands and your own head. "
Lembro de uma época, não muito distante, em que nosso sonho era fugir para algum lugar. Tinha aquela idéia louca de Polinésias Francesas, para contemplar aquele mar azul tão ofuscante cada dia em que acordarmos. Tinha a Europa de mochila, tanto clichê é verdade, mas de reviver com um tanto de romantismo e surpresa essas agruras de vida clásse média pequeno-burguesa. Tinha aquela coisa meio "Diários de Motocicleta", meio devaneio latino-americano de resgatar identidade e conhecer alguma coisa semelhante a nós, mas diferente de uma forma importante.
O fato é que sempre queríamos fugir. Não sei se porque vivíamos empacados numa realidade que custava nos dar prazer ou na esperança em que a Vida, dessa que líamos nos livros, deveria ser algo muito mais do que aquela repetição protocolar dos dias.
Queríamos ser a Kite vermelha perdida no céu, baby. Independentes, capazes, auto-suficientes. Queríamos aplacar esse abismo que parecia se abrir em cada terça-feira nublada de Sessão da Tarde, em cada parágrafo dos terríveis livros de Patologia, em cada presságio de todo fardo que qualquer dia chegaria em nossas mãos inábeis. Queríamos atravessar todos os dias, até mesmo os mais difíceis, com aquela facilidade que as pessoas descomplicadas e confiantes tem.
No fundo, queríamos fugir como prova de força. Estarmos tão-sós conosco, tão próximos de nossos próprios demônios particulares. Em qualquer lugar de língua estranha, para que a única coisa a martelar nossas cabeças fossem os próprios pensamentos.
E ao ver Alex Supertramp refazer nosso desejo, percebi quanto mudamos. Não de uma forma muito objetiva, não que essa nossa essência errática tenha se perdido - mas de perceber todo o processo de crescimento conforme seus passos lhe guiavam cada vez mais longe e, no final, ele concluir o que provavelmente concluiríamos depois de toda sorte de infortúnios e aventuras: "Happiness only real when shared".
E, ao perceber como tudo termina, chorar...

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