sábado, abril 05, 2008

Abril

A verdade é que não há nada que não se adapte: depois de quase dois meses paulistanos, a verdade que toda rotina acabou se encaixando de uma forma indolor e recheada de pequenas alegrias. A solidão, como havia falado, é uma coisa que se acostuma, se amolda - e acaba até preenchendo no final das contas. Tenho aprendido a lidar com esses dias silenciosos e despovoados, conversando somente o necessário para ser simpático com o resto do mundo. Tenho aprendido a resolver melhor os meus problemas sozinhos, sem a chancela de tanta gente que me deu tanto apoio em tantos momentos. Tenho aprendido a ser um pouco mais paciente com as coisas, compreendendo finalmente que a filosofia do "pra mim é tudo ou nunca mais" é uma fonte imensa de sofrimento desnecessário. Tenho me sentindo finalmente adulto, sobrevivendo um mês completo sem precisar pedir dinheiro para os meus pais.

No Hospital, nunca havia sentido minhas mãos tão inábeis e frágeis quanto agora, ao lidar com pacientes tão graves. Mas ali não há espaço para medos ou inseguranças - sou eu quem está na linha de frente, sou eu quem não pode vacilar. Os últimos dias têm sido de um crescimento profissional absurdo, de um amadurecimento nos atos e ações. O fato é falta de tempo para qualquer outra coisa além do Hospital neste abril que se principia, mas enfim - acostuma-se.

Devo mudar ainda essa semana, para um apartamento grande e barato na Vila Mariana. Com isso, fica finalmente a impressão que a mudança para Sampa está completa e é irreversível. Em breve levo meu carro, meus livros, minhas recordações, recrio o meus espaço, retomo a minha vida. Ando bem otimista: conhecendo pessoas legais, lugares legais. Já já compro laptop, arrumo plantão de finde, vou para praia. Junto dinheiro para ir à Argentina em janeiro. Corro no Ibirapuera todo domingo. Arrumo toda sorte de alegrias homeopáticas.

E a vida segue...

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