segunda-feira, março 24, 2008

Shortcuts

Foi assim, distraído, que achei. Andando num sábado, por uma Sampa anormalmente silenciosa e tépida. Entrei: era lindo - uma parede laranja, prédio legal e seguro, sacada e armários embutidos, relativamente perto de onde eu preciso. Tá certo, um cubículo. Tá certo, exorbitante para os padrões interioranos aceitáveis. Mas, vá lá, achei. Agora é outra questão: a infeliz da pessoa que reservou antes de mim ter desistido dele; depois, toda a burocracia decorrente de imobiliárias. Ainda faltam uns 13 capítulos para esta novela chegar num final, mas é pelo menos o início (do início, do início) do fim.

*****

Tenho mastigado isto essa semana: todos acham que amor e ódio são sentimentos opostos e antagônicos. Eu sempre discordei - sempre achei que amor e ódio fossem sentimentos que moram na mesma rua. Que atire a primeira pedra quem nunca quebrou pratos, rasgou cortinas ou mandou recados mal-educados no Orkut quando aquele amor resolveu pisar na bola, quando não resolveu terminar naquele momento estrategicamente impróprio.

Amor e ódio são sentimentos passionais, irracionais, explosivos. Daqueles que ficam nas pontas dos dedos e no fundo da garganta. Entorpecem, vagueiam, confundem - também afogam vezenquando. Por isso, são irmãos. Faces diferentes da mesma moeda: bem-querer, mal-querer - apesar de diferentes, cruzados por uma linha bem tênue que os separam.

E é estranho perceber isso na pele. Lógico que eu usei palavras grandes, de forte impacto, para dar início ao argumento. Não seria um ódio: mas digamos assim, estava mais para uma antipatia e implicância sem muito fundamento. E também não diria um amor: digamos assim, uma idéia que entrecruza o dia-a-dia com uma frequencia relativamente boa. Pode até que não dê futuro ou me enfie naquelas confuões que sou mister em arrumar, mas pelo menos me divirto: a vida tem umas ironias que chegam até a ser deliciosas.

*****

O fato que cantarolo "Sou um animal sentimental, me apego fácil/Ao que desperta o meu desejo". Isto explica MUITA coisa.

*****

É engraçado que solidão é uma coisa que dói no início e lentamente vai ocupando o espaço, moldando-se para encaixar em todo continente. Acaba que rotina é rotina seja no Alaska, na Babilônia, Praga ou Sampa. E quando ela engrena, vai anestesiando e envolvendo. Só ainda não decidi se isto é bom ou ruim.

Nenhum comentário: